Post It - Estilo Livre



... a gente vai ouvindo cada coisa que nem acredita...


Tenho três grandes males: uma orelha em cada lado da cabeça (apuradinhas compensando a falta de visão), uma boa memória e a incompetência para fingir boa disposição quando não a sinto. Junte os três factores e temos então aquilo que eu chamo a sorte grande e terminação.

Da maneira que o povo tem essa facilidade em inventar o que não foi sequer cogitado, evidentemente que os meus pavilhões auditivos captam por vezes novas palavras do léxico que me fazem perguntar os seus significados. Escrevo a pressa a palavra desconhecida num pedacito de papel (nem sempre um post it, muitas vezes o talão do transporte público, ou o recibo da farmácia) onde começo a tecer as minhas teorias...  ou leio aqui no teorias as mil e uma maneiras de cá chegar...mas cá vai.

Imbigo - depois de debruçar-me longamente pelos compêndios e calhamaços  que falam de anatomia, tomei dois significados; o primeiro é que é um umbigo tímido, que fica encolhidinho lá no fundo da barriga, quem sabe obesa, quem sabe com cotão. Ou então será um umbigo assim pro lado do chic, cheio de não me toques. Reflectindo bem sobre o caso e sobre o comentário de que dele ouvi, inclino-me para a segunda opção, já que a senhora dizia "viste bem o brinco que aquela cachopa levava no imbigo?"



Daltiva - de todas as palavras que já ouvi, esta será aquela que levou-me mais tempo a descodificar, tive que aplicar-me e colocar-me em posição para entender de onde e em que contexto saiu essa palavra. Primeiro pensei que fosse um nome, nos dias que correm , os pais sentem-se cada vez mais criativos ao dar nomes aos rebentos, sem dó nem piedade ao futuro deles nas escolas e na vida social. Depois pensei que seria o caso de uma deturpação do Daltonismo,  aquela incapacidade de distinguir as cores, baralha-las ou só conseguir distinguir um par delas. Dei-me em pensar se não seria uma conjunção de De+ Altiva, uma das muitas aglutinações que a língua portuguesa permite. Mas não, pouca sorte a minha nessa lotaria inventiva, pois afinal , falavam de uma senhora que era mãe adoptiva de outra fulana.  E vai-se a ver perdi nas opções...

Autrora - Juro pela minha saúde que pensei que isso seria outra deturpação, desta vez da palavra autora, já que a pessoa em questão falava dos livros escolares, dos preços altos e do desgaste para uma família colocar  os filhos a estudar. Mais uma vez falhou-me o senso descobridor, pois afinal, falava-se do tempo das palmatórias, do livro passado de irmão para irmão, passando para primos, filhos. Outrora era outra loiça, dizia a senhora, a avó de dois pimpolhos com pouca vontade de começar a rabiscar nos livros escolares e de ficar ali sentados diante de uma estranha a ditar letras e números.

Por outro lado, como vem sendo costume, as frases que chegam aqui ao blog como forma de procura de assuntos é algo entre o controverso e o hilariante.

Como falar com uma gaja mázinha - Se quer que lhe diga com franqueza, do fundo da minh'alma, fale com muito cuidado e com uma distancia segura. Mas pense e analise bem antes de rotular uma mulher de mazinha. Se ela pediu praí umas 10 vezes que fosse despejar o lixo, se você disse nessas 10 vezes "sim, já vou" e não foi, deixando motivo para que ela se passasse da marmita e desfiasse o clássico "és mesmo um egoísta do pior, só pensas em ti e não ligas nada ao que te digo ou peço" ela não é mazinha. Ela é uma mulher cansada e fartinha de te ver esparramado no sofá, fazendo zapping e giboiando o jantar.
Depois, temos o clássico TPM, muitos consideram um mito urbano, mas acreditem, é um transtorno tanto para si como para ela. A químigal interna fica toda baralhada, incha-lhe o corpo, tem dores, tem calores, tem frio, fome ou dá-lhe pra ter agonias. Tirando isso, uma hipersensibilidade de meter medo, passando da chorona chafariz à pior das "sargentas".



Uma mulher no seu estado puro de maldade não é raro, mas isso, muitas vezes é fruto de consequências anteriores; então fazendo uso do velho "o ataque é a melhor defesa" atacam-te sem dó nem piedade e atacam sempre aonde dói mais. Em qualquer dos casos, aconselho vivamente que tenha muita atenção ao que diz e... quer saber? não diga nada... sempre pode ser melhor do que dar aso a dormir no sofá, levar com um sapato no trombil ou ficar com fama de insensível.

Como obrigar a fazelo declararce - Ok, é doloroso de ler, mas foi assim que estava escrito. Com que então, o rapaz não se declara... mas do quê? Declaração de independência? Declaração do imposto de renda? Não, não me diga... querem ver que é mesmo aquela declaração de fim de filme comédia romântica de sábado de tarde? Muito bem... ele ainda não perguntou se quer casar, certo? Ainda está com esperanças de noivar (verbo arcaico que se conjuga nos 3 tempos), com direito a anel, festa e foto, certo? Olha... sinceramente, obrigar alguém seja a que for é sinal de desespero. O uso da psicologia inversa muitas vezes funciona nos casos dos mais renitentes (avoados, alheios, acomodados, acostumados) e passar a impressão de que nada é certo e que você ainda tem muitas coisas para fazer (viajar, conhecer pessoas interessantes, descobrir vocação e tal e coisa) antes de definitivamente ficar só com uma pessoa. A velha táctica de ficar constantemente a tocar no assunto, fazer beicinho, amuar e mostrar que todas já estão casadas e você não, definitivamente não dá certo.
Se a coisa está mesmo na marcha lenta... convide pra fazer um test drive e leva o marmanjo pra casa. Se no final de um ano vocês ainda se dão bem, ainda consegue lidar com as manias dele e ele com as suas, sinta-se feliz. Há casamentos que nem seis meses duram... e não seja grudenta.



Ela é virgem - muito bem... e daí? É que se você é leão ou escorpião a coisa não há de correr bem, mas com boa vontade tudo se arranja. Por outro lado os signos de balança e gêmeos não será também boa escolha uma vez que são um bocadinho inconstantes, e virginiano não prima pela paciência. Se o caso for mesmo uma questão de selo intacto, meus parabéns, conseguiu uma espécime rara nos dias que correm. Há até quem tenha medo, verdadeira alergia e sem paciência para uma vestal. Seguramente chegou assim a espera do "homem certo", aquele que vai declarar-se algum dia, por ela ser uma pessoa fantástica e de pouco uso. Cuidado, algumas virgens fazem colunas em jornal, clubes e mais um par de botas para conseguir alguém corajoso que as inaugure.



Espeçies em vias de instinção - no caso (já que copiei tal e qual estava) será a Língua Portuguesa, que por este andar e com tantas calinadas ainda dá o último fôlego e expira para todo o sempre.

Apareçam

Rakel.

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