Louco?? Mais Louco É Quem Me Diz... E Não É Feliz



Regras, regras e mais regras... pode, não pode, é assim que tem que ser, isto é o mais apropriado, já temos idade para ter juízo... isso são coisas de criança! Não entendo bem porque as crianças e os adolescentes querem tanto ser adultos. Vida de adulto é chata e restritiva, principalmente por quem ainda tenta agradar à sociedade e aos seus altos e incontestáveis valores. Para quem está-se nas tintas, tanto lhes faz o que pensam e dizem. É de gente assim nas tintas que eu admiro.

É o Clint Eastwood aqui da cidade, ou o tipo que tem montes de tatuagens e piercings, é a miúda que até é uma boa enfermeira e se veste no estilo gótico-emmo e tem o cabelo agora da cor da pastilha elástica de morango... é quem se diverte e sente-se bem consigo mesmo apesar dos olhares de esguelha, dos cochichos e de toda essa moralidade acima de qualquer nódoa.

Vi este vídeo da Coca-Cola e confesso uma admiração genuína pelas pessoas que encontraram maneiras de  embelezar a vida de forma simples e anónima. Quanto a chamada da empresa para tornar o mundo melhor... garanto, vindo do país que vem, e não duvido que hajam muitos pacifistas por lá, há um imenso trabalho a fazer dentro de "casa".





Palavra de honra que, de todos os que vi a darem seu contributo para um dia melhor ou para melhorar a sua cidade, dois me tocaram mais... é que eu tenho um fraquinho por flores... e baloiços.  :)
Já, pois já; já aconteceu de um senhor agente da ordem pública que veio me perguntar "se eu já não estava grandinha demais para brincar nos baloiços". Malvado... não sabe como essa pergunta inóspita atrofiou a criança que vive dentro de mim... mas, como toda criança desobediente está-se nas tintas... E a criança dentro de mim deitou-lhe a língua de fora, esperou ele ir embora e entalei-me no escorrega.

E foi essa parte do vídeo que mais me impressionou, o facto do projeto de Jeff Waldman de encher as cidades de baloiços em todos os lugares possíveis e imaginários é brilhante. É ver o riso do choninhas engravatado ou ver que os baloiços não fica sem dono para perceber que faltam coisas assim simples para devolver uns minutos de alegria e uma certa paz nos dias mais ácidos.

Sim a miúda que se desfaz dos brinquedos e de prendas e dá para pessoas que tem que ficar numa cama de hospital, a rapariga de bicicleta que inesperadamente dá um  give a five à quem tem a mão estendida a pedir taxi... ou o actor e realizador britânico que pede um só dia sem guerra... ou a Lea Du Plessis que coloca em lugares cinzentos e descaracterizados, flores e plantas... são todos fantásticos.

Mas dá-me a impressão, que a força de ser o melhor, de esforçar-se ao máximo, esqueceu-se de como brincar, de como rir por pura diversão já se tornou fora do contexto de um cidadão de bem.  Transgredir regras neste caso... não é prejudicar pessoas, não é magoar ninguém, nem destruir o trabalho dos outros. Neste caso, transgredir, significa sair desse lugarzinho cómodo e mesquinho do conformismo, de fazer algo bonito, simples e que não esteja a espera de uma recompensa maior... do que ver a satisfação dos outros.

...é que já tem tanta gente a chorar de si mesmo, tanta gente conformada com a sua desdita... que me pergunto que se calhar, se dessem mais de si, não seriam mais felizes.

Sair um bocado dessa órbita umbilical e fazer algo que preste. Não acham?


Apareçam

Rakel


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