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A Roupa Nova do Rei


Era uma vez um rei que se julgava não só o mais inteligente como o mais belo. Aliás, a vaidade era tal que gastava tudo o que tinha e não tinha em novas roupagens e atavios, porque segundo ele, um monarca tem que ter boa pinta. Mas como sempre acontece com os que se julgam superiores aos demais, inteligência era coisa  que não abundava por baixo da peruca empoada e cheia de caracóis. Porque se realmente fosse esperto a valer, não derreteria os fundos do reino em trapos.

Passava a maior parte do tempo diante do espelho, adorando-se , mirando-se, despindo e vestindo roupas e mantos, faixas, jóias, sapatos e perucas mudando conforme a inclinação do dia. Mas nunca estava satisfeito com o que tinha. Dizia ele que ainda não tinha a vestimenta ideal para a sua felicidade soberana. Ohhh chatice! (a interjeição é minha só pra dar clima)

Obviamente, mesmo sem ser uma beldade por aí além, esse rei era bajulado pela corte, pelo povo, porque pior que um rei gastador é um rei embirrado. Daí que, quando ele saía do palácio pra mostrar a nova fatiota, a vassalagem se desfazia em elogios, quanto mais elogios fizesse, mais nas graças do rei ficavam. Era uma troca surda entre povo e rei. Mesmo quando ele dizia uma idiotice, mesmo quando aparecia em saltos exageradamente altos, o povo aplaudia e gritava : "Tão belo é o nosso rei!!" É mais ou menos aquela simbiose do João Jardim com o povo da Madeira...

Vai daí que, um tipos que tinham mesmo inteligência pra dar e vender, resolveram apresentar-se diante do rei e jogaram a isca: eles sabiam fazer um tecido ÚNICO no mundo. A beleza e o custo eram tais que poucos se atreviam a tê-lo. Ok, jogaram pesado com a vaidade e com a pseudo inteligência do rei. Diziam eles, que apenas os grades monarcas, as mais inteligentes pessoas conseguiam ver a beleza desse precioso tecido. Mas pegou, o monarca vaidoso deu uma porradona de dinheiro aos tipos... que faziam de conta que fiavam tão divino tecido. O rei não querendo dar parte de jumento (mesmo não vendo xongas de tecido nenhum), dizia que o mesmo era realmente único e que valia cada peça de ouro. Toda a corja lambe-botas que rodeavam o rei concordavam dizendo que sim, nunca se viu nada de tão maravilhoso (e viam xongas nenhumas de tecido). 

E no dia, que finalmente o rei foi vestir a sua roupa de, faz- de -conta- que- é- gira- mesmo-que-não-se-veja-xongas, olhou-se no espelho e viu-se nu. Mas dar parte de fraco? Assumir que era tapado como um pneu furado? Que só fazia cagada?? Que pagou um porradão de dinheiro por algo que além de não ver...nem sentia?


Mas lá foi ele, com a sua peruca empoada feita de propósito para a ocasião, com os sapatos novos, com os berlindes ao léu, com o rabiosque de fora...mas de nariz em pé. Afinal, ele era o rei mais belo e inteligente né? Saiu pela calçada polvilhada de flores, apinhada de povo e puxa- sacos de serviço, que emudeceram ao ver o rei com os bagos de fora desfilando pela cidade. Como todos que nasceram pra capacho, sem coluna dorsal, vergaram-se diante do rei e gritaram vivas...

...mas há sempre um puto ranhoso, daqueles que tá se borrifando pra pompa e circunstancia que vê as coisas como são: um rei que vai nu, pensando-se belo e inteligente, diante de um povo que o bajula apenas... por hábito. E o puto aponta o dedo e diz a frase fatal : "Olha o rei com os bagos de fora.. ele tá nu!!"

Moral da história...

...enquanto o monarca finge que está tudo bem, que vai belo e airoso, enquanto os lambe-botas gritam "viva o rei" na sua postura de vassalo capacho, há alguns putos ranhosos que teimam em dizer que o rei vai com os berlindes a mostra. É uma evidencia que todos fazem por não ver. Mas quem está mal?? É o puto. O que a ponta o dedo, o que diz preto no branco a verdade. Ninguém nos dias de hoje quer isso, mais fácil é viver no faz de conta onde todos acreditam na fábula. Ter opinião, é verdade, tem os seus custos. Seja pelo facto de ter sido mal atendido numa loja qualquer e colocar no seu blog essa sua experiência, seja o facto de, como amiga/o de alguém alertar para algumas evidencias da vida, tudo enfim, que não bajule e passe a mão no pêlo... é sinónimo de perturbação da ordem (mesmo que essa ordem seja fictícia).

Prefiro ser o puto ranhoso do que gritar "viva o rei"...

Apareçam

Rakel.

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