E são...adultos?


A diferença de idades entre os meus irmãos mais novos e eu são entre 13 à 17 anos, o que quer dizer que ambos foram o meu test drive para depois um dia saber lidar com crianças. Sem entrar em mais questões, a verdade é que tentei dar à eles aquilo que seria exactamente o oposto do que os meus pais ensinavam. O que eles viam como subversivo, via eu como justo.

Daí que quando os dois brigavam por causa de um brinquedo qualquer, primeiro ouvia os dois lados, se não havia acordo pelo meio, o brinquedo era "sequestrado" por mim e ficava sob a minha guarda até que os dois resolvessem saber dividir e brincar em paz. Esse tipo de atitude, levou á que ambos soubessem que não haveria gritaria nem arbitrariedades do tipo "coitadinho, ele é pequeno, deixa-o ficar com o brinquedo". Essa coisa de ser mais novo, de ter direito à tudo só porque é pequenino, frágil e o clássico "não sabe bem o que faz" não favorece uma boa relação de amizade. Porque eu era a mais velha e tinha um irmão 1 anos mais novo. Numa casa em que éramos 4 filhos, as coisas se repetiam.

Isso levou à que meus manos mais novos tivessem mais respeito por mim, do que pelos meus pais, até porque aboli completamente a forma educativa do berro e ameaça "chinelística". Diplomaticamente, as questões de disputas e demais trinquices infantis eram resolvidas sem choros ou birras. Hoje, tenho a grata satisfação de saber que ambos são adultos com a mesma coerência educativa que eu. Um satisfação que me faz ver que afinal... não tinha nada de subversivo no meu método.

Talvez por isso mesmo, achei um bocado caricato algumas acções tomadas durante a Cimeira da NATO, uma delas, me fez rir. saber que fizeram corredores especiais para que alguns dirigentes não tivessem que se cruzar. Me pergunto se tal acontecesse, se comportariam como dois PitBull em plena arena de luta clandestina. Ou se desatariam aos tiros.. sei lá. E mais se torna evidente que as questões diplomáticas ficam no reino dos tecnocratas e demais  elementos de bastidores. E francamente.. cada vez que o Sr. Berlusconi abre aquela boca, sai desgraça. Porque infelizmente, ele se acha engraçado, com piada. Talvez as meninas do serviço de acompanhantes se riam muito das alarvidades que lhe saem assim... do nada.

Mais ainda, ao ver a ser assinado um dos tratados, deixou-me desconcertada... aquela coisa de cada assistente ter uma caneta, dizer a hora que assina, a hora que se levantam e apertam as mãos pra foto, todos sorridentes...uma coisa tão ensaiada...que me pergunto se alguma vez os dirigentes estiveram cara a cara, falaram pessoalmente sobre os assuntos. À mim me fez lembrar aquele tipo de clima estranho dos encontros às escuras, em que as duas pessoas não se conhecem, marcam por elas o encontro fantástico... e ficam naqueles gestos ensaiados. São estes homens e mulheres que dirigem os países de origem, que definem a guerra ou a paz. São estes os nossos adultos, aqueles que constroem ou destroem. Que depois da NATO tem o seus grupinhos, o G8, G20 e mais uma vez, definem a nossa condição de vida.


Mas continuam com relações tensas, conflitos velados, birras e tentativas de chamar a atenção dentro do grupo. Há uns tempos tinha dito, que o conflito de Jerusalém era bem resolvido.
Uma vez que tanto os palestinianos como os israelitas descendem do mesmo pai, Abraão,pai de Isaac e Ismael, (respectivos iniciadores das nações acima citadas) bastaria fazer uma coisa só. Tirar Jerusalém dos dois. Se não sabem dividir pacificamente um brinquedo, se não sabem agir como irmãos que são, então não tem direito à nada. Acabava de vez com essa coisa de "corredores separados" para os meninos não rosnarem uns pros outros... ou então são todos uns favelados vestidos de Armani.

Só mais uma coisa...o que ficou mesmo resolvido nessa Cimeira da NATO? É que, além daquele marido de deputada que cantava, do Obama que foi o centro das atenções mais a sua comitiva de 900 pessoas, do maquilhado e de cabelo pintado do Berlusconi, e do acordo para o Afeganistão... o que ficou definido mesmo? Era só pra saber...

Apareçam

Rakel

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