Reflexos


Cada avaliação pessoal, cada analise de condutas e pensamentos, leva à uma reflexão do que somos na sua totalidade. Acho que nunca nos conhecemos totalmente.

Há quem passe a vida toda satisfeito com aquilo que conhece, caminha por locais seguros, e frases indolores. É fácil não vasculhar muito pelos cantos escondidos, não abrir portas e não tocar nos assuntos. Porque se vamos tirar o pó do que anda guardado lá bem no fundo, aquelas coisas que ignoramos por acharmos que não tem importância... de repente se tornam o centro do Universo.

Quem será que se vê no reflexo do espelho da vida?? Quem se autoriza a passar o limiar do lugar seguro? Quem quer ver mais do que a vista alcança??

Abrir a caixa de Pandora, abrir as janelas da alma e deixar saltar cá pra fora coisas...que até sabíamos que existiam. Mas ignoramos pelo simples facto que a vida, sendo já tão complicada, não merece mais complicações. Mas, será que a vida complicada, não o será justamente porque continuamos a ignorar o que somos?

Limitarmos tudo à essa covardia calculada, de deixar andar, porque assim, nada de mal acontece, e isso empobrece o que somos, cada vez mais com o passar do tempo.

Nossos pais, nos deram uma educação, uma religião e morais de vida. Deram bases, e bases, são apenas isso mesmo: um começo. Depois somos nós a escolher os diversos caminhos e conhecer mais do que aquilo que nos deram. Alguns se ficam apenas pelas bases, não ambicionam mais do que foi passando de geração em geração. Outros desenvolvem uma dupla vida: aparentemente vivem sob as mesmas leis ancestrais onde foram criados e fazem de forma velada a vida que sempre desejaram ter.

Outros decidem romper com as tradições, debatem-se furiosamente contra tudo que lhes deram, tentando criar uma nova vida. Batem de frente com a vida, desdenham que lhes é diferente e não aceita nada que não encaixe no seu reflexo.

Não sei se são os anos que passam, não sei se é pelo facto de que me venho a redescobrir em momentos certeiros, mas estou convencida, cada um de nós procura o conforto de viver em paz. Ser feliz.
Descobrir estas facetas de vida tem sido pra mim, não somente uma viagem pontuada de coisas giras, interessantes. Há os lados menos alegres, certezas inconfundíveis de qual é o meu lugar no mundo. O meu lugar no mundo... é o mundo inteiro. Não me fico pelas imagens, algumas são miragens. Mas me pego deslumbrada com os sons, a ausência dele, as cores, as formas, as texturas e sabores. E o mundo é mais do que o visível.

Mas aprendi a já não bater de frente, nem tentar explicar que a vida é mais do que tocar e ver. Nem vou ficar  mais confusa quando vejo imensas possibilidades numa pessoa que teima em se enxergar de forma distorcida. Cada um escolhe a forma que quer viver a vida, derrotista ou optimista, desistindo e insistindo. Porque acho que todo mundo tem uma hora, um determinado momento em que se dá conta que não é assim que quer viver mais, que há algo a fazer para melhorar. Tarde ou cedo acontece. E se não acontece... que aprenda a viver sem culpar mais ninguém... do que o seu próprio reflexo no espelho.

Apareçam

Rakel.

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